
Entramos no estabelecimento onde T. trabalha. Seu nome significa "amor", ou um tipo específico de amor. Começamos a conversar e aprender um pouco sobre sua vida. Disse que já é beneficiária do projeto há mais de quatro anos. Ela é uma moça de 28 anos, com boa aparência física e de fala mansa.
Na Etiópia, contrair o vírus da AIDS torna-se um estigma. Pela falta de informação, muitos pensam que a doença pode ser transmitida pelo ar. Por isso, alguns são expulsos da vila onde vivem, outros perdem emprego, alguns não são permitidos nem mesmo a continuar alugando o espaço onde vivem. Ninguém quer ser conhecido pelo seu "status". No caso de T., sua mãe e seus irmãos a abandonaram quando descobriram que ela tinha contraído o vírus. Ao nos contar sua história, ela começa a chorar e ameaça se retirar da mesa onde estávamos. Quando finalmente se acalma, decide nos trazer refrigerante e batatas fritas.
Ela continua nos contando a sua história e diz que nunca mais havia visto seus parentes desde que descobriu ser HIV positivo. A sua história é parecida com a de muitas outras que sofrem com o "estigma" naquele país.
Aproveitamos o significado do seu nome para ministrar o amor de Deus sobre a vida dela. Falamos de como ela é amada pelo pessoal do Projeto, ao ponto de eles estarem cuidando de todas as suas necessidades. Falamos do privilégio que ela tinha de estar recebendo naquela manhã pessoas que vieram do outro lado do mundo apenas para lhe ajudarem. E, principalmente, ministramos muito sobre o amor de Cristo que morreu por nós em uma cruz: Jesus também foi um homem de dores, e morreu em nosso lugar, para que ela também pudesse se sentir amada e confortada em meio a toda aquela situação.
Perguntamos se poderíamos orar pela vida dela, e naquele instante ela nos disse que queria entregar a vida para Jesus.
T. finalmente entendeu o significado mais profundo de seu nome: o amor de um Deus que dá seu único filho por nós, pobres pecadores.
* O nome e o rosto de T. não podem ser publicados por causa do estigma na sociedade.